Sinergia

Tu sabes que contenho o gesto, o toque,
que liberto teu corpo, teu âmago.
Pensas ter medo do que desconheces em mim e da inexatidão que te ofereço - no entanto, tens medo é da surpresa que tem gênese em ti, do torpor pela ausência de regras, do reino de arquitetura imperfeita. Magnífica.
Envolta em meu mundo paralelo, vejo-te em sorrateiro afastamento. Andarilho de horizontes mil, tu somes à ressonância de qualquer chamado. Receberia-te com gestos e toques precisos, deleitaria meu corpo como que para dissolver-me entre teus poros e alcançar o mesmo centro prazenteiro.
Foges do impalpável, decides pela facilidade; entregou-me lembranças de boa noite e te embrenhastes entre os braços de um cais seguro. Justiça. De mim exiges outra lida hoje: a desistência bateu à minha porta; resistiu e atravessou diversos portões através de jardins que zelam pelos recantos mais belos daqui. A fortaleza sucumbe ao desinteresse aparente, o acaso engana o desejo, a descrença abala o amante, o cansaço desaquece o estímulo.
Reclusa, a dedicação preciosa cede à distância. A mente nega, conduz o corpo aos terrenos mais planos, recolhe o susto, retira o caos. Acabou-se o êxtase possível de um choque certeiro e pré-dito.
A mente nega o ímpeto. O corpo clama por vida que venha sorrindo prazer.

Guardiã
Almejo o valor deste pouco. Também um suspiro significado, a razão para esperar pelos próximos e continuar sentindo Nada. Imploro por ar intoxicante para saber que posso (ou não) encontrar o outro lado nesta ilha de lunáticos. Preciso da lupa; está difícil demais encontrar sinais que valham as feridas.
Guardiã

Entre os lençóis tramados com fios de aço, tenho a cabeça e o corpo como campo eletromagnético. Liberto o mundo dos poços ecoantes e dos limites inalcançáveis aos pés que anseiam por estabilidade. Deixo-me devorar entre sombras e campos condutores para que a fantasia do mundo sobreviva o quanto suportar. Descargas mortais revigoram meu corpo com suas correntes, preservam a tez intacta que guarda o eletrizante campo inaudível.

A fantasia terá de achar novo corpo
Contenho silentes muitas exigências de abandono, não afirmo a permanência
Não creio no valor da sobrevivência

Guardiã